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quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

Recado

- Damáris Lopes -


Devolva-me aos poucos,
as poucas coisas do além portão:

o vermelho do antúrio que me corava,
a canção do pássaro detetive, na varanda,

os cinqüenta por cento da manta que nos cobria
e também da minha atlética alegria.
Ah...e desta matemática tola,
por favor,
cem por cento da bolha
onde teu amor me envolvia.

Check-out da Paixão

-Damáris Lopes -

Dias acumulam poeiras deixadas pelo vento
Sem contento, viro e desviro páginas do livro
Irônico o último capítulo, não cede sua cena
Acena, como não fosse chegar seu instante.
Vem o sol e a noite desabriga meu pensamento
Certa e constante apenas a fase do luar
Então, retorna pedinte, e a noite seguinte
Me pari pedra bruta, sem lapidar.

Bravo coração, despedida ousou aplaudir
Fez check-out da paixão, sem crédito
Só da saudade não abriu mão.

quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

Lembrança

Damáris Lopes & José Luiz Santos



Reconheço no gramado as pisadas de nós dois
Ao caminho do jardim, as sementes do depois
Das rosas, os espinhos que cutucam minha mão
E delas, colheita próxima exala cheiro e solidão.

O vaso do retorno compõe com água o aroma
Da flor escancarada, o desejo entra em coma.
Nem a lembrança dos teus olhos nos meus
Consegue apagar nítida imagem do adeus.

Fostes, reconheço, o meu melhor momento.
Contigo imaginei um novo tempo, recomeço
Para minha alma casada de andanças e perigos.

Porém, quando de ti mais eu precisava
Atiraste-me no vazio; folha que o vento leva
A um ponto distante, longe dos teus abraços.

Sob a garoa

- Damáris Lopes -



Fininhos são fios d’água sob os céus
E molham criativos a grama do quintal
Nos resquícios contornados do solado, atolam
Água, terra, mato amassado e teu pisar banal.

Contraídos meus olhos ali se afogam
Buscando na lama, reflexo de um rosto vil
Encharcados os passos me levam ao portão
De um amor latente que sem trovão, partiu.

Caia chuva delicada e, pálida mostra
O caminho que no solo tornou-se hostil
Ora, pinga no chão o cansaço das águas
Engrossadas com lágrimas de quem já sorriu.

domingo, 11 de dezembro de 2011

Recado

- Damáris Lopes -



Devolva-me aos poucos,
as poucas coisas do além portão:

o vermelho do antúrio que me corava,
a canção do pássaro detetive, na varanda,

os cinqüenta por cento da manta que nos cobria
e também da minha atlética alegria.

Ah...e desta matemática tola,
por favor,
cem por cento da bolha
onde teu amor me envolvia.

terça-feira, 6 de dezembro de 2011

Arco-íris das Dores

-Damáris Lopes -



Semblante ácido na corredeira do tempo
E um sorriso quadrado esvai-se perdido
Não sombras nem sobras de pensamento
Mas lembrança que ainda provoca gemido

Tenho hoje no ventre arraigadas poses
De um passado que não desfaz e perpassa
Inócuo, projeta gigante arco-íris das dores
Santa embriagues da essência estilhaçada.

Frutos da estação caem em profundo sono
Agora a colheita faz-se operação solitária
Da plantação a dois restou-me seu abono
À saudade que escraviza esta alma operária.

sexta-feira, 18 de novembro de 2011

O amanhecer na varanda

- Damáris Lopes -

Livre a arte do amanhecer
no colo do dia chorão,
apetece minha fome
enraizada na paixão
da grama incomodada
pelo audacioso sereno
cedendo à amarela cilada,
do sol e seu aceno.

Abre o dia fervoso
e, da varanda preguiçosa
vem a vaidade fresca,
pela aragem das entranhas
da mata, morada sapiente,
em mansão lúdica e experta,
do cheiro capim-limão
ao antídoto que acoberta.

Fértil o chão que sustenta
a artimanha do universo,
feixe de leis exóticas e
tramas da mãe natureza.
Afinada orquestra em concerto
confunde física e nostalgia
à química da varanda preguiçosa
quando amanhece o dia.








Anatomia

- Damáris Lopes -


Está meu corpo ao teu corte exposto
E dissecado encontra-se ao revés
Na leiga ação do coração preposto
Em trato feito, te aceito como és.

Olho nu, assim, detectas minha miopia
E, da mão, a concha que nada segura
Descontrole de quem que te quer todo dia
Em pedaços que sonham tua captura.

A boca denuncia a falta dos limites
E o peito contraditório respira o ar do céu
Ansiedade do coração é tenro palpite

Das veias que brindam o sangue da raiz
Margeando artérias que me permitem réu
Atormentadas e fiéis, me querendo feliz.




terça-feira, 8 de novembro de 2011

Saudade é dor de amor

Saudade é dor de amor




- Damáris Lopes -


Perdura a angustia dos meus sonhos
Saudade intensa que em mim eclode
Dor maior inexiste à alma, suponho
Que cansada, suportar mais, não pode.

Nas densas nuvens te exploro e alcanço
Ainda que alturas revelem-nas vazias
É desejo que constrói e remoi manso
Impulsivo anseio de ver-te em meus dias.

Transgride o tempo como pode e permite
O viver do hoje na riqueza do passado.
Amor nascido feliz tem preço na morte

Se cala inerte e impotente ao palpite
Onde silencio brando substancia o brado:
Saudade é dor de amor, chorando pela sorte

Soneto da Petição

- Damáris Lopes -



Creias em meus tremores e rebeldias
Que resistem quando sinto-me cerceada
Não pela natureza maior dos ralos dias
Pela reação do corpo em abrigo ao nada.

Incapazes minhas células desoxigenadas
Se permanecem distantes ao abraço teu
Perdem o rumo e descobrem-se fadadas
Ao desencanto ilhado sob luar em breu.

Coração preterido é dado sem prumo
Busca os teus escutares como apelo
Anseia do teu toque, faminto consumo

Como rogo de quem suplica e murmura
Esgota incansável, o mundo, por teu zelo
Que há de resgatá-lo da penosa clausura.

Noite Mãe

- Damáris Lopes -


Olha a noite esfuziante
Transporta muda o silencio
Se uivo do lobo atento
Não rompe o movimento
Assim, minutos perpassam
Sob olhares disfarçados
E o choro ali contido
É calado e notívago.
A noite não vadia
Opera guardiã
Pra não deixar o mal
Se instalar na alma vã


Corre escura e poderosa
Com frenéticos olhares
De quem fotografa
Em posição dos ares
Corre escura e poderosa
Como ladra do agente dia
Que desdenha o rei sol
Mas se dobra à lua rainha.


Olha a noite esfuziante
Onde silencio oriundo
Transporta quieto os olhos
Do coração vagabundo.


Corre escura e poderosa
A noite que apaga o dia
Que acende vagalume
E faz parir a boemia.

sexta-feira, 28 de outubro de 2011

Aperto






- Damáris Lopes



Eu, que atravessei montanhas
Pisei do asfalto tapetes persas
Nas pedras plumas dispersas
Pulei muros, escorreguei escuros
Caí sentada, enroscada por adornos
Puro abandono
E, fêmea virei loba de mim mesma


Chovi lágrimas, sorri carencias
Inerte assisti cancelas impotentes
Cadente pelo universo afora
Vim do nada, perdi nada
Consumi pedras do mundo
Absurdos minutos sem horas.


Distorci trovas em poemas clássicos
Atirei o amor em calibre de guerra
Então, do eu, casulo da penitencia
Proposto fui da fartura à abstinência
Em vida selada à demanda da sorte.

quarta-feira, 5 de outubro de 2011

Marcia Tigani & Damáris Lopes


· LEGADO

· - Márcia Tigani -

 
O que restará de minhas mãos quando eu me for?
O que ficará da minha essência quando eu partir?
Na derradeira manhã em que viverei o amor,
alguma marca restará do meu sentir?

O que será do que plantei como idéia,
Se o que pensei à noite, o mar levou
E o clarão do dia é só matéria
A dissipar a angústia de quem amou?

Restarão suspensas as gotas de chuva?
Que das minhas mãos brotaram frias
A aplacar a ardência das feridas.

E esses poemas tolos, onde estou nua
Relíquias das minhas noites de vigília
Qual legado a contar de minhas vidas.

DO TEU LEGADO

- Damáris Lopes -

Há de regosijar-se a terra até por olho alheio
E dos campos de uva, sumo será sem fim
Não das dúvidas ao legado, que ora creio
Mas do árduo cultivo dispensado ao jardim.

Dos pensamentos mergulhados ao mar
Ressacas os graduarão penitentes ao céu
Sólidos hão de impedir a chuva de cessar
Terra molhada recompensa, será troféu.

Necessária tolice na poesia que desnuda
Rimada aos ouvidos de quem atento fica
É insone a noite que por ti revira, clama

Desvenda mistérios e todo teu corpo usa
Em amores pródigos de uma vida rica
Erros, acertos, legado maior de quem ama.














TRAVESSIA

    - Damáris Lopes -

Traz traço de pier
Foco d’água
Não pontuo se não passo
Vitória
É destino e posso
Não troco
Corda bamba
Travesso
Atravesso
Cheguei
E agora
Que faço com o avesso?


                                              

Reflexão

- Damáris Lopes -


Indeléveis são os rastros do peito errante
Em arranhões deixados pela farsante lida
Por ignorancia sem tento dos meus atos
Contrita penitencia busco eu pela vida.

Precioso momento ora desvendado
Humilde a lágrima requerida pelo erro
Meu destino agora recriado, goza o fado
Tocado nos campos das flores sem aterro.

Sob medida vem meu fardo destinado
Quando aceito as leis do bom preceito
Das dores tenho renascimento farto
E no universo novo, meu verso é eleito.

Renascer o homem em esperança
Torna patente o óbvio do caminho
O embarque desta trilha é dança solo
Se morre, tanto quanto, se nasce sozinho.

Veleiro

- Damáris Lopes -


Qual balanço perturba e nauseia
Um corpo que ao mar se lança
É a vida que usurpa e incendeia
Escaldante sol a sua semelhança.

Nuvens descem do celeste azul
Freqüência da bússola se perde
Coerente não é mais norte ou sul
Nem meu eu divisa minha verve.

Marés cheias, famintas e variáveis
Torturam ferozes a voz da prece
Veloz o vento benfeitor da vez
Forte ar que também carece.

Num sobe e desce sem fim
Ondas querem veleiro tragar
Batalha travada no sal, enfim
Vencerei eu, céu ou mar.

A correnteza do mar é artesã
Sua força e leis, objetiva
A vela exausta, figura vilã
Falha e me conduz à deriva.

Tomara que ao leme desta nau
Traduza eu, desígnios da navegação
Suporte meus medos, absorva degraus
Sublimize o naufrágio à salvação.

segunda-feira, 23 de maio de 2011

Rescisão


Toma a decisão que constrange o ato

Rumo ao alarde da pauta cordata

Era antes a cláusula do destrato, e, meu trato

Tarde, o prende à presente data.



O prumo desfaz as páginas num fórum

E molhados os olhos não miram a audiência

Estão nossos corpos sem quórum

Da alma e do espírito em penitencia.



Trama aguçada reverte a esperança

Como em beira de cais, prestes a acenar

Não é vitória, tão pouco liderança

É doida despedida, insólita de ar.



Há de findar como outras coisas tantas

Ambos capengas, náufragos sem mar

Não sou mais sua, e a hora já cansa

Sem mais vaidades, resta-nos assinar.

-Damáris Lopes -




sexta-feira, 10 de setembro de 2010

Alforria




- Damáris Lopes -

Avesso à porta
estilo de moda
em costa nua.

Caminho do vento
estanco bom senso
que não segue à rua.

Na mala, sentada
decreto de minh'alma
não sou mais sua.

Performance arreada
encontro com nada
registro da fotografia

Minha alegoria segura
na mão alforriada.


quinta-feira, 9 de setembro de 2010

Tolice // Apenas



Tolice

Voce é uma pluma voando ao léu
e eu um tolo: vivo a sorrir
um sorriso bobo de esperança
sem nem mesmo desconfiar
onde será seu pouso...

A paixão é burra
e vive abraçada às suposições,
quando se dá conta do engano
se perde na busca do reconhecimento
e, encontra o anonimato por companhia.

- Marçal Filho -
 


Apenas

Tolice é qual mesmice do meu cair,
perde-se em queda mansa...
nem graça tanta do pouso insonso
me repousa.

Aí, certo estás: burra é a paixão
já que te cega e errado calcula
o lugar do meu pouco amparo.
Assim, vejo sem prumo o vôo
inseguro de tuas suposições.

Sou como pluma ao léu
sob irônico céu do pensar
e, caio com pena, por apenas
não sentires que só
em ti, anseio pousar.

- Damáris Lopes -

Muito honrada com a participação do grande poeta mineiro Marçal Filho



domingo, 25 de julho de 2010

"Nosso trato" Glória Salles e Replica de Damáris Lopes - "Assino nosso trato"

“Nosso trato” 

Fixamos um trato, meu coração e eu
Não nos lambuzarmos em palavras de mel
Que naufraguem sonhos, em pleno apogeu
num mar de ilações, onde o doce vira fel

Não pulsar ,desesperados por um querer incerto
Nem nas grades do desejo deixar-nos arrebatar
Conhecer nossos limites, ir no âmago do afeto
Desse elixir suave nunca mais nos embebedar

Não nos deixar levar nas asas de todo vento
Pois nadar nas ondas da loucura é tormento
E por mais que nos  custe ver na razão o viés

Não respirar emoções, cujo ar não nos furta
Pois sentimento qualquer, é feito coberta curta
“Quando a cabeça aquece, congela-nos os pés...”

- Glória Salles -





       (Réplica)
Assino Nosso Trato


Melado mel que flamba ao rubro caldo
Decanta meu eu a favor do turvo pacto
E o corpo bailarino que dirige o palco
Decreta ao amor duras cláusulas neste ato.


Cumpridor sou das veias do querer
Aceito o pulsar menor do universo
Ao sufocar desejos deterás teu ser
Provável assim, num amor submerso.


Sofrer diminuto não sobrepõe à regra
Avesso aventureiro afiança teu viver
Por fim, curvo-me quieto à lei do bem


Nosso trato finca rédeas a tua entrega

Terás a pena pelo amor que merecer
Melhor assim, que pulsar por ninguém.


- Damáris Lopes –





sexta-feira, 9 de julho de 2010

A Minha Estante


-Damáris Lopes-
(após ler "Minha Estante" de Naldo Velho)



O mundo está aqui, na minha estante
Não distante, na casa da outra rua
Só mudamos os relicários
Pois a madeira, forte guerreira
Empena os mesmos pesos
Outras tantas delicadezas
Que as prateleiras avalizam em gramas
Até o olhar de quem passa e ama
As coisas emolduradas
Roubadas de você
Seu sorriso, sobrancelha arcada
Zangada pelo dia curto
Seus surtos - sua digitação exímia
E um rebento assobio
Desafio da nova canção

O mundo está aqui...
Não deveria, é só uma estante
Mas retrata tanta vida
Que até o ranger da gaveta, solicita
– Pega meu livro, querida...

O mundo está aqui
E, mal vejo a madeira ordinária
Legado do dinheiro
Assumo a estante carregada
De palavras que lhe ungiam
Neste lugar predileto

E, neste seu canto seleto
O sono foi profundo
Você me esqueceu...

Construí outra estante
Agora, por um instante
Quem se perdeu – fui eu.
Me dei conta, a minha ainda está vazia.
Nem cristais, livros ou diplomas
(Se lá vivem, em mim não estão...)
Restam enfileirados sonhos
De toda nossa vida
Pois quando em frente passo
Vejo seu lábio arquivado
Por usocapião
- Pega meu livro, querida?


Pelo Pier





- Damáris Lopes -

Caminho estranho este meu
Tão sem nada adiante
Talvez afunde por tudo
Ou no nada, ao fundo
Talvez afunde
Por diamante.


O pier já existia
Eu que nem sabia
Lá fui colocada
Andei milhas
Esqueci estradas
Descalça e quieta
Procurei suas estacas
Em vão...
Sequer degraus



O pier é estreito


Frescura seria quintal
Certo é seguir em frente
Sem espelho
Não olhar pra trás
O lado é falho.
Sou andarilho
Num trilho capaz
Sobre a água
Sobrevida
Nada mais.

segunda-feira, 14 de junho de 2010

Solidão


- Damaris Lopes -


Anda meu pé desidratado
Sem palmilha de proteção
Além do pleno absurdo
Meu apetite nulo
Na vala da solidão

Te procuro

Caso sério esse presente
Mistério do ausente
Me doado sem porquê

Conheci o triste
E tudo mais que não existe
Na vida sem você

sexta-feira, 21 de maio de 2010

Rumo do Destino

- Damáris Lopes -


Vem esse destino meio troncho
Meio roxo, a me destilar
Sabe ele que me escondo
Por vingança, rouba-me ar.

Desatino puro, meu egocentrismo
Porto sóbria maneira em dominá-lo
Driblo incapaz ao fatalismo
E, constrangida me ouso calar.

Louco jogo, esse da vida
Largada na partida
Garantia não é da vitória
Lutas e trocas têm troco
Estiagem na terra, lição no rosto
Preço estimado a quem com tinta
Pinta roxo sua história.

sexta-feira, 7 de maio de 2010

Anoiteceu



- Damáris Lopes -

 Sorrateira, a tarde úmida anseia essência da noite
Vestes pardas, taciturnas, guardiãs ao breve açoite
Quando peito solitário, do luar sente a dor
Alvejado passageiro, sucumbe veloz a este amor.

Roubada doce face, busca fase penitente da lua
Não fui fruto semeado, nem ceifa da alma tua
E da messe tão distante, talhado restou meu plantio
Jardim aberto flutuante, sobrevoa agora o vazio.

Vãs foram as rosas coloridas desfiadas dos espinhos
Resignadas ao velho balde que perdia água e carinhos
No entardecer da tristeza, cruel o orvalho atesta
A lua que nasce brilha, mas não cede nem uma fresta.

Contundente é o momento que revira a natureza
E perverso tece a trama das pedras com proeza
Vencidos estão os dias ao passar da estação
Quem amei entardeceu, foi atalho da escuridão.

quinta-feira, 22 de abril de 2010

A Noite Te Espera



-Damáris Lopes -


Não corre vácuo neste sangue quente
Onde habita só, a intuição do ser
Onde derrame jorra inocente
Amor profano que anseio em ti viver.


E, pela face demolidora e ativa
Vestígio explosivo vem-nos agir
Forte é o peito que aquece tua diva
Como quem pede a pele para cerzir.


Vens na destreza de tua conduta
Aos pés daquela que ousa e seduz
Como artífice tece filigrana


Deixes ardentes os corpos em luta
Sem o dormir da cama por tanta luz
Sem sono espera a noite que te clama.

sábado, 17 de abril de 2010

Amor Distante

- Damáris Lopes -

Eis a colheita feita
Destes percalços de vida
Amargor das longas dietas
Doces dos dias de festas
Cheiro único de mar
Jeito diferente de amar
Tristeza que é só da gente
Quando o longe não traz alcance...

Dê-me teu instante
E, tudo em nós semeado
Seja utópico
Meu atípico amante
Presente no fruto colhido
Ceifa seleta d’alma
Alimento do meu terno coração
Eterno na razão da minha lida.

TALVEZ

Talvez sejamos
aqueles antigos
poetas imortais
em novos
corpos e metas
procurando
os mesmos locais

- Louis Alien -


Talvez sejamos esboços
dos amanhãs
cruzando nossas linhas
no espaço tátil da poesia,
talvez...
de certeza essa coisa
de encontrar o que parece
que se perdeu!

- Ana Luiza –


Talvez sejamos
o não, o sim
o fim, o ideal,
a parte, o todo.
Talvez só sonho
a procura do local
Talvez a dúvida
do porque.
Talvez meu lugar
seja voce...

- Damáris Lopes -


Talvez sejamos
o passado de volta
a brincar com o presente
desenhando um novo futuro
um mundo que se pressente
sem ressentimento ou muro
sem ódio por toda volta
a brilhar infinito nos séculos.

JL- Semeador

quarta-feira, 7 de abril de 2010

Rascunho

- Damáris Lopes -


Juntos escrevemos um poema
Sílabas cadentes e tônicas se uniram
Criaram o tema.
Pontos eram inevitáveis
E, frágeis as interrogações
Aspiravam respostas...
Estrofes idiotas
Nem tudo era lindo
Versos ungidos, sem brado de voz
Falavam de lua, de mar
De mato, contas a pagar
E de nós, pequenos hai-kais
Nas mãos, o mundo
Até o fundo submerso.

Não te esqueço jamais...
Estonteante parceria
Noites e dias de amor
Precedidos de poesia
Sem estética.

Atropelados pela gramática
Ignoramos a prática
Rendemo-nos ao hiato
Separou-se a escrita
Sem lema
Meu monólogo, um teorema
Me cansa
Desprovida da matemática,
Diminuo-me nas lembranças
E minh’alma em prece balbucia
Sem poesia, o teu nome...
Volta, seja meu pretexto,
Meu sexto sentido
Reencontro do poema perdido.

domingo, 7 de março de 2010

Sozinha e sem Tempo



-Damáris Lopes -

Ouço o tic, vejo o tac
E meu pé finca no chão
No trem não vou
Longínqua, minha estação

É a pressa - que me resta
A dar conta deste dia,
Mais um tic, mais um tac
Do relógio em covardia!
Atrasa, não adianta
Há de ser falsificado
Anti-herói, anti-horário,
Não segue tempo esticado.

Não dou conta do recado
Aflijo o tic e o tac
Como não houvesse som
Do ponteiro em destaque.
- Perco o trem.

Talvez, no seguinte, eu parta
Sem o tic, sem o tac
Que me atrasam também.

Amanhã na estação,
Darei corda no relógio
E do meu pulso,
Por impulso impróprio
Dele, o curso será um não.

Então, partirei
Sem o tic, sem o tac
Com o toque do meu passo
Não "tic-tarei" o tempo
Partida de mim,
Despojada de outros bens,
certa, no trem que vem...
Trem que vem...trem que vem
Sem o tic, sem o tac,
Sem o tempo
Só eu, mais ninguém


** Imagem presente da amiga e irmã Lisete Silvio

domingo, 28 de fevereiro de 2010

Vingança

-Damáris Lopes -


Arrisco escrever deste teu jeito
Quando te encostas, e me tiras a pressa
Controladora do meu corpo, feito
Leitura que só a mim interessa.

Não mente este calafrio
Percorre ácido minhas membranas
E como pão que como e fatio
És fermento sólido
Que ao estômago engana.

Oportuno, te devoro com gana
Ambição ingênua de quem maltrata e judia
Sem restrição, teus desvios me encantam
Assim, me vingo em paixão doentia.

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

Ao Meu Professor


- Damáris Lopes -


Seria eu, seria tantas em pedaços distintos
Talvez geminiana desenfreada
No abc da primeira cartilha
Sonho faminto.,
Da “Caminho Suave”, te lembras?

Acorde sem rítmo
Da despautada nota
Sem sol,
Ai de mim!
Anzol sem isca
Perdida na pista
Sem pista pra te encontrar.

Sábia escola, esta vida de arte,
Não te vi tarde
Nos meus cinqüenta
Onde a interrogação ainda me tenta
E lendo em linhas tortas
Onde Ele escreve certo
Tropecei em versos no ar.
Caminho perto pra te achar.

Por dito e feito
Na tua linguagem sóbria
Me fiz própria
Pra provar das tuas sílabas
E delinear o jeito
Do meu re-desenho.



(Imagem, gentilmente cedida pelo poeta Naldo Velho)

quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

PAQUETÁ, ILHA DA POESIA

-Damáris Lopes


Engraçado como o tempo, tuas marcas contradiz
se séculos ocultassem anos, serias menina aprendiz,
pois na antiga história, teu seio é juvenil.
Pele brilha adolescente, em vestimenta de senhora,
sob tecido faceiro, desfilas agora credora,
em tempo, bem feitora, dos poetas do Brasil.

Nas ruas areosas onde olhos vivificam
Batem ondas da Baía, que te margeiam, filha.
Sombra de coqueiros refresca este pequeno Rio,
que viveu tantos janeiros a enfeitar casarios.

Das tuas charretes, a rota, contrasta esta gente,
que ora te honra e cultua de maneira diferente.
As moreninhas de hoje, por mais, possuam graça
distantes estão daquela, de Macedo, tão recatada.

A beleza de tuas praias ainda embala inspiração,
E, no canto de cada pássaro, cada nota, soa canção.

Reluzente, o sol conduz a barca ao caminho,
o pórtico se abre em graça e caloroso decreta:
- bem vindo seja o carinho do povo e dos poetas.

Pela sombra das Paineiras, cheiro, sol e maresia,
pela brisa do teu jeito, Paquetá, aqui proponho:
De ora em diante aceites, sempre Ilha da Poesia,
Assim seja teu sobrenome, glória e vida deste sonho.



** Este poema nasceu da química que Antonio Poeta, projetou nos amigos, a partir de sua dedicação e trabalho com a finalidade de inserir ao nome Paquetá, a Ilha da Poesia, fazendo dela sua sede. Parabéns, amigo, pelo seu trabalho constante.
portalantoniopoeta.com.br

quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

Algemas

-Damáris Lopes -


Disponível está minha sentença de liberdade
Quero pois, as garras da prisão
Do meu olhar em tuas mãos.
Atada, enroscar-me ao aço dos teus nervos ópticos.
Caóticos os passos que me deixam
Amassam frios nossa verdade.

Quero até a mentira do disfarce
Das noites mornas, sem o veneno das tardes.
E, nas grades desta cela me apetecer da saudade
Dos pelos, das tuas entranhas.

Não me estranhe.
Te reclamo – é o preço – o apelo
Pra ficar ao lado teu.

sexta-feira, 16 de outubro de 2009

Quando

-Damáris Lopes -



No móvel do canto, emoldurado,
está lá sorriso debruçado,
sem graça, por súplicas que planto.
No pranto de um canto empoeirado
está lá sonho guardado
sob insônias de luares tantos.

No santo amor em pecado,
está lá segredo declinado
por ansiar doce beijo teu.
No tempo perto, sem espanto,
haverei de te beijar, por certo,
no entanto, quando...quando?

segunda-feira, 12 de outubro de 2009

Nos teus braços

-Damáris Lopes -


Meu fato é teu ato
do abraço que o corpo consome,
como suave ácido corroe
despertando meus sentidos.

Torção nas entranhas
Corro perigo... reviro...
Resta de mim
mera estranha.

Desregrada minh’alma
zera impaciente,
aparente calma.

Lançada ao ar,
não mais ficção,
razão é escalar última camada,
meta pra onde sou atirada.
Infinito pois é meu grito,
sem juízo a me entregar.

Nosso sonho declinado,
no espaço é concreto.

Desfeita em afetos, adormeço
e, nos teus braços, querido,
nem percebo...me esqueço.

terça-feira, 6 de outubro de 2009

Tua Rota

-Damáris Lopes-
A gula desta loba,
disfarce em tuas entranhas,
devora rosa dos ventos,
se esconde entre montanhas.
E lá, fera sem norte,
inquere tua bússola:
qual rota de argila e barro
norteia tua vida,
ou fere tua sorte?
*Após ler um poema de Carlos Couto

terça-feira, 15 de setembro de 2009

Metáfora

-Damáris Lopes -

Escapa, vida fugidia.
Vãos ínfimos, esses dedos!
Como gotícula d’água
vai abaixo ralo da pia.

Pelo túnel torneado
escorrega imperceptível,
carga do que se espera
que não frutificou ainda.

Encanamento obscuro,
em que o furo quase trava conserto.
Assim, tem coisa que escoa,
tem coisa que entala,
sem jeito.

Oh! Vida turbinada
entubada pelo tempo.
Quem empoeira ou limpa
como contratada divina
é a faxina do vento.
De repente, ele não encana
mas o ar, velho sacana,
entra rasteiro no cano
e a vida com respiro
tira limbo feito pano
pra sono roncador
sonhar mais tranqüilo,
quem sabe com menos dor.

Vem manso desobstruir
o que se pensa vazio.

Liquefeito tudo no giro,
vida, estrado em funil,
será premio semeado
engate forte, dourado,
que mais um degrau,
ao pódio subiu.




quinta-feira, 9 de julho de 2009

Arquivo


Damáris Lopes

Dito pelo não dito
fotografo tudo
o óbvio, o esquisito.
Dia versus noite versus dia.
Sol que anda,
se esconde da lua branca,
acena, some de cena
e, não descansa.

Eu não mudo, tenho raiz na Terra,
outro planeta me desintegra.
Então, em terra
enterro minhas lembranças,
marco que sou
da manha da criança,
do adolescente ingrato,
do adulto embasbacado
que oculto.

Vire minha página,
serei talvez, breve futuro,
best-seller da velhice,
consagrado premio andarilho.

Na gaveta, verbo andar desvencilho,
giro chave à fechadura.
Enfático, o presente assegura
sou elo conectivo
e por up-grade da vida
sou também um arquivo.

segunda-feira, 29 de junho de 2009

Das Inutilidades

- Damáris Lopes -

Inúteis são pesadelos,
comidas sem tempero,
brigas no trânsito
adornos no cabelo.

Inúteis são lentes coloridas,
olhos que não têm vida.

Inúteis são lágrimas de amor perdido,
minutos calados, sufocados gritos.

Inúteis são lábios pintados,
sem os teus aos meus adicionados.

Inúteis são coisas estragadas,
boêmios sem madrugadas.

Inúteis são palavrinhas, palavrões,
dores de cotovelo nas canções.

Inúteis são manhãs de ressacas.
Diamantes em mãos fracas.

Inúteis são porta-retratos,
desfilam ressabiados
dentro deles, nós dois.
Mas dois, do lado de fora,
distantes, magoados, agora,
como tais porta-retratos,
inutilidades são também.

Então, ali, enquadrados,
inúteis somos os quatro e,
todo o amor que se tem.