-Damáris Lopes -
Ouço o tic, vejo o tac
E meu pé finca no chão
No trem não vou
Longínqua, minha estação
É a pressa - que me resta
A dar conta deste dia,
Mais um tic, mais um tac
Do relógio em covardia!
Atrasa, não adianta
Há de ser falsificado
Anti-herói, anti-horário,
Não segue tempo esticado.
Não dou conta do recado
Aflijo o tic e o tac
Como não houvesse som
Do ponteiro em destaque.
- Perco o trem.
Talvez, no seguinte, eu parta
Sem o tic, sem o tac
Que me atrasam também.
Amanhã na estação,
Darei corda no relógio
E do meu pulso,
Por impulso impróprio
Dele, o curso será um não.
Então, partirei
Sem o tic, sem o tac
Com o toque do meu passo
Não "tic-tarei" o tempo
Partida de mim,
Despojada de outros bens,
certa, no trem que vem...
Trem que vem...trem que vem
Sem o tic, sem o tac,
Sem o tempo
Só eu, mais ninguém
** Imagem presente da amiga e irmã Lisete Silvio